2 de outubro de 2011

Qual limite entre a arte e a pornografia?

Por Ricardo Silva

Na maioria das vezes costuma-se definir pornografia como qualquer tipo de exibição explícita da nudez humana. Sempre que a nudez é explicitada tende a causar certo alvoroço constrangido em quem a contempla. Isso se potencializa com os puritanos (ou melhor, com os falsos puritanos, pois esses nossos aqui são meros hipócritas), que se escandalizam por qualquer coisa que fuja aos seus princípios morais. Mas essa forma de ver a nudez foi modificando-se com o passar dos anos, e com certa exposição mais acentuada de mais partes do corpo. Essa mudança foi maior ainda graças a fotografia.
Dentro da fotografia o corpo adquiriu outras formas de ser visto, de como ser contemplado na sua essência e não meramente por padrões estéticos aprisionantes. Graças a essa espécie de revolução no olhar do corpo, o limite entre a pornografia – a exposição vulgarizada – e a arte – ou nu artístico – ficou ainda mais tênue. Mas o que fazer para diferenciar uma da outra?
A foto pornográfica tem suas características que a identificam como sendo pornô, entre elas: a valorização do corpo do modelo em detrimento do cenário em si como fator preponderante na construção da foto, foco nas genitálias sem preocupação com ângulos que explorem a beleza do que está sendo retratado, a centralização dos modelos em relação a foto, ou seja, o que é central na fotografia são os modelos e não a composição; eles não são mais um elemento da fotografia, mas o elemento da foto.
Enquanto na fotografia pornô predomina a imagem do modelo na foto, na arte fotográfica de um nu, existe uma série de preocupações para a composição da foto, onde predominam: as sombras como fator de sutileza na exposição das curvas, a angulação, a construção de um cenário que faça com que a foto seja um amontoado de referências e não somente um objeto sendo retratado de forma quase isolada, o modelo é parte de um todo que monta a foto de forma que os outros pontos referenciais também se mostrem relevantes.
A beleza não está no objeto, mas na forma como ele é retratado. Essa forma é que faz com que a mesma pessoa possa parecer duas pessoas diferentes sob lentes diferentes. O corpo possui uma beleza inestimável que não pode ser ignorada por nossas restrições pseudo-puritanas. A beleza da natureza do corpo é para ser mostrada, exibida, sem vergonha, sem falsos pudores. Seguindo aquela velha fórmula de uma frase que se tornou popular: tudo que é bonito é para se mostrar.

2 comentários:

Rodrigo Tomé disse...

Muito bom. Estou com problemas estéticos. Quero publicar meu primeiro livro em prosa, mas não sei ainda se o público brasileiro de literatura brasileira está preparado pra isso. E não sei também se o publico que curte literatura gringa vai me ler.

Ábia Costa disse...

De qualquer forma, eu gostaria de lê-lo Rodrigo

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