13 de maio de 2010

As marcas em nossa vida, por Ábia Costa

Lembro-me de quando era adolescente e entrava furtivamente no quarto de minha irmã para ler seus livros, ali tive meu primeiro contato com Rubem Alves, Luís Fernando Veríssimo e grandes clássicos como José de Alencar e Camilo Castelo Branco, sem mencionar Machado de Assis e o pai da psicanálise Freud. (eu não entendia nada do que Freud dizia, mesmo assim o lia).
Esse primeiro contato com os livros marcou a minha vida e foram essenciais para o rumo da minha história e para me tornar quem sou hoje.
Nossa vida é cheia de marcas, momentos que nos deixam cicatrizes, algumas ruins que precisam ser esquecidas e o tempo, às vezes consegue apagar, outras são boas e queremos que essas cicatrizes fiquem em nós eternamente.
Assim também, existem pessoas que nos marcam, tão profundamente que jamais as esqueceremos, seja um grande amor, ou uma grande amizade, ou, até mesmo, aquela professora que com toda paciência, acreditou em você e lhe ensinou; outras nos marcam de um jeito raivoso, mas é assim mesmo, sempre digo que viver em sociedade é viver em um risco constante, pois somos seres humanos e constantemente ferimos os sentimentos uns dos outros.
Algumas pessoas estão geograficamente distantes, outras mais perto, mas ambas com a mesma intimidade – afinal estamos na era da internet. Outras se tornam importantes sem mesmo você as ter visto pessoalmente, é a tecnologia da informação que cresce no século XXI.
Às vezes me pergunto se toda essa fibra óptica em nossa vida, não tem deixado nossos relacionamentos mais frios e sem sentido; penso que a resposta é não, pois nada substitui um abraço, um afago, um toque.
Para Marx somos “animais sociais”, necessitamos viver em sociedade, ainda que sejamos solitários, e aí está o sucesso de tantas salas de bate papo virtual, criando assim um cyber espaço.
Mas mesmo que tenhamos computadores e celulares (com TIM infinity pré, ta? Você sem fronteiras, hahahah), temos a necessidade de olharmos nos olhos, de ver um sorriso no rosto de outrem, de tocar, de sentir e isso faz de nós (pelo menos em parte) seres humanos.
Eu sempre digo que não tenho amigos (pelo menos não da maneira que a sociedade entende como amigo) e muitos ficam chateados com tal afirmação; Digo que tenho “companheiros temporais”, pessoas que transitam pela minha vida, umas levam muitos anos para passar, outras, apenas alguns meses, algumas vão e voltam - fora aquelas que se vão eternamente por motivo de falecimento, por exemplo - e assim cada uma vai deixando em mim sua marca e vou vivendo em sociedade.
Hoje vivo coisas totalmente diferentes e penso totalmente diferente do que há dois anos atrás e por causa de tais mudanças, muitas pessoas resolveram sair de minha vida, mas deixaram em mim seu legado e boas lembranças que carregarei para o meu pra sempre.
E se você está lendo isto, peço que vá abraçar aquele alguém que você ama muito, seja qual for o tipo de amor, e abrace como se fosse o último abraço, pois não sabemos se amanhã tal pessoa ainda estará em sua vida, então aproveite enquanto ela estiver por perto.
....
O que você está esperando?


PS: Dedico este post à Fabrício Quaresma, Bruno Serrão, Rosilene Cordeiro, César Bezerra, Caroline Abreu, Kleber Thalion, Andréa Costa, Rose Ferreira e Adriana Leal (os raros mais raros, que marcaram e ainda marcam a minha vida)


Ábia Costa

7 comentários:

Renato Hemesath disse...

Oi querida, tais bem? :)

nossa, quantas coisas ricas tu disse neste post, heim. Com toda sinceridade: acho este assunto brilhante!

Reconhecer que não temos amigos é um pensamento bastante evoluído, a meu ver.. trata-se muitas vezes de reconhecer a própria temporalidade das situações e realidade de que as pessoas mudam e se completam em momentos muito específicos. Quando idealizamos pouco, sofremos menos. Não que necessariamente eu siga isso a rigor. haha

Ai eu tive um profº no primeiro ano da facul super fascinado no Rubem alves, haha

Beijos

rose disse...

'Nossa Abiia..palavras sao poucas pra descrever oqe vc me fez sentir ao ler esta 'obra prima'.Bem..td qe dissestes faz-nos pensar e avaliar td qe somos e as pessoas qe temos do nosso lado,(nao importa se longe ou perto).
Simplesmente amo suas escritas !
Amu vc minha 'nega' !

Dri disse...

Ai Ábia, sempre escrevendo tão bem! Usando tão bem as palavras! Belo post (não só por ver meu nome ali entre os "raros".. hehe... meu ego tá gritando), tu sabes exatamente o momento que preciso ler o que tu escreves, e eu já te disse isso! =D
Agradeço tua amizade, a gente se diverte, né?! Bendita viagem aventureira de reveillon... conheci uma pessoa incrível! Muitos beijos!

Kleber Thalion disse...

PQP...pera q vou ali beijar muuito e abraçar muito...

Cintia disse...

Amora adorei seu texto, o mundo precisa de mais gente que se expresse de forma tão limpa e honesta, despertou em mim meu lado sentimental....Vc sabe que é meu orgulho né Beijos te amo!

Anônimo disse...

oi miga,
que expressão mais sincera de sentimento, nossa gostei bastante, sabe, são poucos os q conseguem demosntrar com alta sinceridade o que vc citou em seu texto, certamente nossas vidas são pintadas por marcas deixadas pelos outros!!
Muito bom!!!!
È notáve q vc evolui cada vez mais em suas produções, Parabéns!

Ramany

Walter Rodrigues disse...

Belas palavras, Ábia, enxutas e harmoniosas. De fato, tudo passa deixando marcas, às vezes boa, ou, ruins. Constituindo dessa forma tudo o que nós somos e o que ainda podemos nos tornar.
bjão

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