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21 de janeiro de 2012

Vaidade




Sonho que sou a Poetisa eleita,
Aquela que diz tudo e tudo sabe,
Que tem a inspiração pura e perfeita,
Que reúne num verso a imensidade!


Sonho que um verso meu tem claridade
Para encher todo o mundo! E que deleita
Mesmo aqueles que morrem de saudade!
Mesmo os de alma profunda e insatisfeita!


Sonho que sou Alguém cá neste mundo ...
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada!


E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho ... E não sou nada! ...

Florbela Espanca

16 de janeiro de 2012

Sonhar em segredo

O livro Os famosos e os duendes da morte, de Ismael Canepelle que deu origem ao filme de mesmo nome dirigido por Esmir Filho é um mergulho na alma de um adolescente no interior do Rio Grande do Sul, o filme narrado em primeira pessoa, com o foco narrativo - segundo Norma Friedman - eu-protagonista, nos mostra a sensibilidade de uma mente um tanto quanto depressiva, seus conflitos, sua construção identitária, sua vida...é um retrato da alma do protagonista que não é nomeado. O filme não fica atrás, com uma poética interessante, é um "cinema sensorial" como diz Esmir Filho em uma de suas entrevistas; realmente é difícil não sentir a dor do personagem, não mergulhar fundo no seu dia-a-dia e muito mais que isso, sentir o que ele sente. Nunca vi um filme brasileiro com tamanha sensibilidade. Minha intensão aqui não é fazer uma resenha do filme ou do livro e sim falar um pouco do que eu senti em um dos filmes que mais marcaram minha vida.
Se identificar com o trio de personagens principal é fácil, mas entendê-los e senti-los é uma tarefa para poucos. A ponte tem um significado especial para eles, e acaba se tornando algo especial para nós também, ela vem a ser como uma protagonista do livro, parece que tudo gira em torno dela e é nela que vidas são decididas. Os famosos e os duendes da morte é um mergulho dentro de nós mesmos, e até onde a ponte pode ser uma ameaça ou uma salvação para nós, ela pode configurar vários aspectos em nossas vidas.
É um livro que vale a pena ser lido, um filme que vale a pena ser assistido.
E que somente pessoas sensíveis são capazes de entender a poética em suas páginas e imagens.
Ao som de Bob Dylan e Nelo Johann nos leva para dentro de nós mesmos.









Fragmentos de "Os famosos e os duendes da morte", livro de Ismael Canepelle e filme de Esmir Filho

"Naquela cidade, cada um sonhava em segredo, o menino sem nome conheceu a garota sem pernas, ela não tinha pernas, mas mesmo assim não precisava de ninguém para ir embora"

"A tua boca se abrindo era o meu sorriso querendo surgir. Os teus olhos chorando eram as minhas vontades que um dia tu também sentiu"

"Segurando forte na tua mão sem entender que todas as vidas são solitárias"

"Sem nunca saber que nossos olhos carregavam as mesmas lágrimas, as nossas mãos traziam as mesmas despedidas"

"Sem saber que a pior do é a dos que voltam. E a dos que ficam. A dor do que não tentaram e não conseguiram"

12 de janeiro de 2012

Apenas compreenda...



Está na hora de aprendermos a respeitar a opinião e crença dos outros; está na hora de sermos mais humanos e termos mais compaixão; está na hora de aprender a dizer "obrigado", "por favor".
Essas são coisas simples e tão difíceis de serem compartilhadas entre os seres humanos, um grupo de pessoas não é superior aos demais, não devemos impor nossas opiniões, pensamentos, crenças aos demais.
Cada um deve ser livre para seguir o caminho que assim o desejar.
Já vivemos em uma sociedade manipuladora, que todo o tempo nos influencia, desde o momento em que nascemos devemos nos adequar a ela. As pessoas não estão ao seu redor para fazer as suas vontades, e nem você deve fazer as delas.
Precisamos acertar nosso caminho para a felicidade, sem ilusões de que ela exista.
Felicidade é ausência de dor - emocional - mas é essa tal dor que nos torna cada vez mais seres humanos, é a dor que nos sensibiliza e faz-nos querer sermos pessoas melhores para construir uma sociedade mais justa.
Enquanto formos egoístas ao ponto de querer impor aquilos que acreditamos aos outros, viveremos em uma sociedade em que sempre haverá opressões. Devemos e queremos ser livres, mas essa liberdade começa dentro de você, não deixe que os outros digam qual caminho você deve seguir, a vida é sua e de mais ninguém e ela é curta demais para você perder tempo sendo outra pessoa.

30 de dezembro de 2011

Onde habitam as flores*

Por Ábia Costa


Aqui está tão frio
e silencioso.
Tudo é tão cinza.


Onde estará o sol?
Onde habitam as flores?
Onde estarão as cores?


E meu coração que
por ai está perdido
em busca de algo
que nem ele sabe o que é.


Acordei e está tão frio
o ar rarefeito
e eu chamando por alguém
mas a solidão é a única realidade
que me cerca


Onde estarão as flores que
deveriam me pertencer?
Onde estará você?
Onde está o calor e a alegria?
Onde...
Onde habitam as flores?


*ao som de Nelo Johann

28 de novembro de 2011

O guerreiro - Sistema em Xeque





O guerreiro caído é um homem educado
ele pede e você fica calado
você xinga ele e ele te diz obrigado

A batalha é travada entre cães e a construção
armas obsoletas como o amor e a compaixão
sob o sol incandescente, fome e desolação 
e apenas o destino como seu anfitrião!

Lutar pra viver é saber "que sozinho vai padecer"
amar você e perceber "é mais difícil do que pode parecer"

O guerreiro caído não é considerado mártir
ele sabe que já não faz parte
dessa droga chamada sociedade!

Homem invisível anda como moribundo
tentado todos os dias à entrar no submundo
sob a mira de armas e um som agudo
o choro de crianças os soldados do futuro!

Lutar pra viver é saber "que sozinho vai padecer"
amar você e perceber "é mais difícil do que pode parecer"

"Cansado de lutar uma batalha perdida onde uns não enxergam mais os outros,
sofria pois políticos continuam à causar guerras regidas pela ignorância e hipocrisia, venho aqui dizer que estou à postos pra lutar na batalha onde só aumentam os corpos, venho aqui dizer que estou com medo pois ser recrutado nunca foi meu desejo!"

Por Luiz Veríssimo


PS: Apresentando mais um banda de um outro amigo meu, já tinha apresentado a Império Três por Quatro, agora um pouco de Sistema em Xeque pra vocês =D

APJCC faz mostra dos melhores de 2011

A Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema, comemora seu quarto ano fazendo uma mostra dos melhores filmes de 2011, eleitos por eles


Confira a programação: 



27 de novembro de 2011

Além da Estrada

O filme Além da Estrada, uma co-produção de Brasil e Uruguai, estreia nesta quarta-feira 30/11, às 19hs, no Cine Líbero Luxardo. Vale a pena conferir:



Sinopse: Sem perspectivas, Santiago decide ir ao Uruguai conhecer um terreno deixado por seus pais mortos tragicamente alguns anos antes. Na chegada ele encontra Juliette, uma jovem belga em busca de um amor do passado e de uma nova vida. O que parecia ser uma simples carona acaba se transformando em uma breve, porém intensa, jornada. Visitando paisagens e pessoas perdidas no tempo, eles dividem experiências que acabam por aproximá-los.


Trailer




Serviço:

Cine Líbero Luxardo / Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves
Endereço: Av. Gentil Bittencourt, 650 térreo
Informações: (91) 3202 4321 / cinelibero@gmail.com

21 de outubro de 2011

A dor de te ver partir



Enquanto estamos parados muitas coisas acontecem no mundo
E você não vê em meus olhos aquilo que busco neste lugar sombrio
Somos tolos, somos insanos, somos vivos e amamos
E ao meu redor tudo parece tão normal, enquanto dentro do meu peito explode a angustia de te ver partir.
Momentos me vêm à memória, o seu sorriso pintado no céu
Seu olhar encontrando o meu e na pele a ardência do seu toque
E eu olho em volta, o que eu encontro é o nada
Este é o meu destino,
Manter-me sozinha, eternamente esperando seus passos ressoarem a sua volta
Mas no quarto há o silêncio, na sala já não há mais fotos
Tudo está vazio, tudo está vazio...
E eu busco incansavelmente os seus braços
e nada encontro...
Mundo tenebroso é este em que me encontro sem o teu amor,
Num abismo sinto-me despencar
E não encontro suas mãos para me puxarem de volta ao que é real
Sem tua presença, nada pode ser real
Sem teu amor é melhor mergulhar em um mundo de ilusões
Onde você sempre voltará aos meus braços
E nunca rejeitará meus beijos
Que só a você pertencem
Você está impregnado em mim, em meu sangue, em minha mente
Você tem o pior e o melhor de mim
Por favor, devolva-me o meu eu que está em você
Meu mundo, meu sorriso, meu abraço, minha saudade, minha calma...


2 de outubro de 2011

Qual limite entre a arte e a pornografia?

Por Ricardo Silva

Na maioria das vezes costuma-se definir pornografia como qualquer tipo de exibição explícita da nudez humana. Sempre que a nudez é explicitada tende a causar certo alvoroço constrangido em quem a contempla. Isso se potencializa com os puritanos (ou melhor, com os falsos puritanos, pois esses nossos aqui são meros hipócritas), que se escandalizam por qualquer coisa que fuja aos seus princípios morais. Mas essa forma de ver a nudez foi modificando-se com o passar dos anos, e com certa exposição mais acentuada de mais partes do corpo. Essa mudança foi maior ainda graças a fotografia.
Dentro da fotografia o corpo adquiriu outras formas de ser visto, de como ser contemplado na sua essência e não meramente por padrões estéticos aprisionantes. Graças a essa espécie de revolução no olhar do corpo, o limite entre a pornografia – a exposição vulgarizada – e a arte – ou nu artístico – ficou ainda mais tênue. Mas o que fazer para diferenciar uma da outra?
A foto pornográfica tem suas características que a identificam como sendo pornô, entre elas: a valorização do corpo do modelo em detrimento do cenário em si como fator preponderante na construção da foto, foco nas genitálias sem preocupação com ângulos que explorem a beleza do que está sendo retratado, a centralização dos modelos em relação a foto, ou seja, o que é central na fotografia são os modelos e não a composição; eles não são mais um elemento da fotografia, mas o elemento da foto.
Enquanto na fotografia pornô predomina a imagem do modelo na foto, na arte fotográfica de um nu, existe uma série de preocupações para a composição da foto, onde predominam: as sombras como fator de sutileza na exposição das curvas, a angulação, a construção de um cenário que faça com que a foto seja um amontoado de referências e não somente um objeto sendo retratado de forma quase isolada, o modelo é parte de um todo que monta a foto de forma que os outros pontos referenciais também se mostrem relevantes.
A beleza não está no objeto, mas na forma como ele é retratado. Essa forma é que faz com que a mesma pessoa possa parecer duas pessoas diferentes sob lentes diferentes. O corpo possui uma beleza inestimável que não pode ser ignorada por nossas restrições pseudo-puritanas. A beleza da natureza do corpo é para ser mostrada, exibida, sem vergonha, sem falsos pudores. Seguindo aquela velha fórmula de uma frase que se tornou popular: tudo que é bonito é para se mostrar.

14 de setembro de 2011

Documentário celebra 50 anos de Nouvelle Vague


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