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26 de setembro de 2010

Frases de Fernando Anintelli, O Teatro Mágico

"Descobrir o verdadeiro sentido das coisas é querer saber demais!"

"Quando vi que rimar amor com humor funcionava, não só na estética e na melodia, mas no sentido que aquilo tinha pra mim, nunca mais parei de fazer música"

"Quando eu li sobre o Teatro Mágico do Hesse, percebi que era justamente aquilo que eu gostaria de montar: um espetáculo que juntasse tudo numa coisa só, malabaristas, atores, cantores, poetas, palhaços, bailarinas e tudo mais que a minha imaginação pudesse criar. O Teatro Mágico é um lugar onde tudo é possível"


" Quando estou no palco, faço questão de frisar que aquele ali sou eu, não é um palhaço ou outro personagem qualquer".

"ser o que se é, afinal todos somos raros e temos que ter consciência disso"


Fernando Anitelli

20 de setembro de 2010

Vivo arte.mov Belém

Acontece em Belém dos dias 22 a 26 de setembro o  Vivo arte.mov – Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis que trás workshop, exposições, mostras audiovisuais e performances.
É a primeira vez que o festival acontece em terras paraenses, e está em sua quinta edição nacional, a abertura será nesta quarta-feira (Dia Mundial Sem Carro) com uma passeata de bicicletas, saindo às 19h da frente do Mercado de São Brás.




A programação você pode encontrar aqui


Fonte: Guiart.com.br   


Site Oficial : Vivo Arte.Mov

18 de setembro de 2010

Um encontro histórico, por Ábia Costa

Benendito Nunes

Eram 10:30hs da manhã, no mini-auditório do Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará, um abraço caloroso entre dois dos maiores intelectuais do Brasil e de Portugal, de um lado Benedito Nunes, já com seus 81 anos, e uma vasta bibliografia, paraense de Belém, professor, filósofo, escritor, crítico e ensaísta, Benedito Nunes especializou-se em analisar obras de grandes escritores, como Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Jean-Paul Sartre e Martin Heidegger. Intelectual, recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura em 1987 (na categoria
Estudos Literários, com Passagem para o Poético - Filosofia e Poesia Heidegger), pela Câmara Brasileira do Livro, e o título de Professor Emérito da Universidade do Pará, em 1998.Bem como o prêmio Machado de Assis em 2010.

Eduardo Lourenço

Do outro lado, Eduardo Lourenço, ao 87 anos, português, considerado um dos maiores ensaísta de Portugal, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Universidade de Coimbra, também premiado, com o Prêmio Camões,dentre outros, grande amigo de José Saramago, e assim como Benedito Nunes, autor de vários ensaios para a revista portuguesa Colóquio Letras.
Ao se sentarem, os dois discorreram conversas sobre Heidegger, Fernando Pessoa e José Saramago, dentre tantas outras coisas, que fizeram uma hora e meia de conversa, ser pouco para esbanjar tanto conhecimento.
Juntando, tanto conhecimento, o encontro foi, além de emocionante, de grande admiração da parte dos estudantes presentes...com certeza foi um encontro inesquecível

11 de setembro de 2010

Projetos, estudos e Mário Faustino, por Ábia Costa

Mário Faustino (Terezina-22/10/1930, Lima-27/11/1962)



Olá queridos, não estou postando com tanta freqüência, devido a minha dedicação aos meus estudos na faculdade, mas isso não significa que abandonei meu blog, o cantinho que tanto amo, peço-lhes que não me abandonem, rs, e tenham um pouco de paciência...vida de universitário não é fácil, em breve vou colocar aqui ótimas notícias, e algumas coisas com relação ao projeto que estou participando na universidade sobre cinema e literatura, enquanto isso, deixo-vos com a poesia de um poeta, que foi um dos maiores aqui no Brasil e em Belém do Pará também: Mário Faustino.


ROMANCE


Para as Festas da Agonia
Vi-te chegar, como havia

Sonhando já que chegasses:

Vinha teu vulto tão belo

Em teu cavalo amarelo,

Anjo meu, que, se me amasses,

Em teu cavalo eu partira

Sem saudade, pena, ou ira;

Teu cavalo, que amarraras

Ao tronco de minha glória

E pastava-me a memória

Feno de ouro, gramas raras.

Era tão cálido o peito

Angélico, onde meu leito

Me deixaste então fazer,

Que pude esquecer a cor

Dos olhos da Vida e a dor

Que o Sono vinha trazer.

Tão celeste foi a Festa,

Tão fino o Anjo, e a Besta

Onde montei tão serena,

Que posso, Damas, dizer-vos

E a vós, Senhores, tão servos

De outra Festa mais terrena

Não morri de mala sorte,
Morri de amor pela Morte.

5 de setembro de 2010

Mais uma primavera, por Ábia Costa


Eu sinceramente acho – hoje em dia – aniversários inebriantes, pelo menos os meus, por que sou mimada por todos os lados e eu adoro ser mimada. No ultimo dia 03/09 eu comemorei mais uma primavera, na verdade a 24ª e com muito gosto, digamos que foram 24anos bem vividos ao meu modo.
Na minha adolescência sempre pensava nos aniversários como um fardo. Quando completei 17anos até minha mãe esqueceu da data, me deixando muito frustrada, era um momento de reflexão, como sempre gostei de filosofia, passava o dia tentando entender o que eu estava fazendo por aqui, por este mundo cruel e cheio de sofrimento, e era um momento de me martirizar por carregar este fardo chamado vida (sim, eu acreditava nisso); hoje ainda vejo a vida como algo um pouco estranho aos meus olhos, ainda me sinto deslocada do mundo, mas eu decidi algo, se eu estou por aqui é melhor aproveitar e se divertir, e foi isso que eu fiz, o dia 03 de setembro foi um dia muito especial, sai com amigos, assistimos o pôr-do-sol, lemos poesias, fomos a uma doceria (@TudoBolo, da nossa amiga Samara :D ) e rimos muito. Foi um momento mágico onde fui cercada de carinho e amor, e fiz este post especial para agradecer a todos que de alguma forma (por telefone, SMS, E-mail) lembraram e fizeram deste dia um dos melhore de 2010 até o momento, amei comemorar meu aniversário com vocês e quem sabe comemoraremos muitos outros juntos.

31 de agosto de 2010

Dia do Blog, por Ábia Costa

Hoje é um dia especial para todos internautas que ultilizam desta ferramenta chamada Blog, que é muito útil em vários aspectos. Começei a fazer blog's em 2008, e já tive tempos em que o vício era tanto que cheguei a ter três blogs, e ser New Poster em outros quatro, mas com o tempo percebi que qualidade estava acima de qualquer coisa, e então escolhi manter somente o Vivendo e Construindo, onde ponho coisas que gosto e textos meus, compartilhando com outros internautas.
O dia 31/08 foi escolhido como o Dia do Blog, por - em certas fontes - os números parecerem formar a palavra Blog, o dia então foi marcado.
Existe um projeto denominado Blogueiros da Floresta, que tem como foco princípal divulgar as páginas de blogueiros amazônidas. No dia 29/08 houve uma encontro, onde a galera se reunião para discutir sobre o projeto, se conhecer e se divertir, provando que vamos muito além de nossas páginas na web





Blogs que eu indico:


Ateu e à toa (Ateísmo, humor, religião)
Bule Voador (blog da Liga Humanista Secular do Brasil)
Deus Ilusão (Ateísmo, ceticismo, religião)
Varal da Web (Variedades)
Cine Freud (Cinema sob à luz da psicanálise)
Multimídia Luv Life (Multimídia)
Ponto Zero (Entretenimento, cultura)
Calazine (Publicidade e Propaganda)
Mim Comigo Mesmo (Reflexões)
Artur Araújo (Tecnologia e Comunicação)
Funcional (Variedades)
Dil Santos (Poesias e Reflexões)
Ensaios Acidentais (Poesias e Prosas)
Versos Rascunhos (Literatura, Cultura, Reflexões)
Tetrapharmakos in Vitro (Ciência, Religião, Humanismo Secular, Filosofia)
Nova Heláde (Mitologia e Cultura Grega)
Blog "Amanhã ou Depois" (Poesia, Refkexõs)

Bom...eu acho que é só, aproveite a leitura, e até a próxima







29 de agosto de 2010

Solares, por Ábia Costa

  Fotos tiradas por Ábia Costa, na Estação das Docas em Belém do Pará








26 de agosto de 2010

Está chegando mais uma Feira Pan-Amazônica do Livro, por Ábia Costa

E começa a contagem regressiva para a XIV Feira Pan Amazônica do Livro, que ocorre este ano no Hangar Centro de Convenções, dos dias 27/08 à 05/09/2010, contará com 178 estandes  que irão abrigar mais de 400 expositores e diversas atividades culturais. A visitação do público começa nesta sexta (27/08), às 18h, nos demais dias será sempre das 10 às 22h.
A feira também contará com uma programação de primeira qualidade, com escritores renomados nacionalmente e muita música regional e nacional nos palcos onde sediarão shows gratuitos ao público.
Como é de costume, a Feira homenageará um país, este ano serão vários países de um continente, o tema é: "África que fala Português" homenageando Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e Cabo Verde; o patrono será o poeta paraense Bruno de Menezes.
A Feira Pan-Amazônica do Livro que reuniu em 2009, cerca 510 mil pessoas durante dez dias de evento, pretende bater novo recorde de público este ano.
Estamos todos ansiosos.




Programação dos Escritores:


19h30 às 21h
28/08 –
Ariano Suassuna
29/08 – Caco Barcellos
30/08 – Mario Prata
31/08 – Marcel Souto Maior
01/09 – Carlos Heitor Cony
02/09 – Celso Antunes
03/09 – Luis Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura
04/09 – Walcyr Carrasco
05/09 – Fernanda Young


Programçao Musical

27/08
Sexta-feira
21h - TIMBALADA

28/08
Sábado
20h - DESTRUIDORES DE TÓQUIO
21h - PAGODE DO BILÃO
22h - JORGE ARAGÃO

29/08
Domingo
20h - ORQUESTRA DE VIOLÃO CELLO DA AMAZÔNIA
21h - ALBA MARIA
22h - LEILA PINHEIRO

30/08
Segunda-feira
20h - SAMBA DE CACETE
21h - ORQUESTRA SINFÔNICA DO THEATRO DA PAZ
22h - AMAZÔNIA JAZZ BAND

31/08
Terça-feira
20h - BAMBAÊ DO ROSÁRIO
21h - PINDUCA
22h - MILTON GUEDES

01/09
Quarta-feira
20h - CAMIRANGA
21h - JAAFA REGGAE
22h - CALYPSO

02/09
Quinta-feira
20h - GAMBA
21h - SUZANA FLAG
22h - GILBERTO GIL

03/09
Sexta-feira
20h - MARABIRÉ
21h - FUNK COMO LE GUSTA
22h - LENINE

04/09
Sábado
20h - CLÃ REAL
21h - LUIZA POSSI
22h - EMILIO SANTIAGO

05/09
Domingo
20h - ADELBERT
21h - SANDRA DE SÁ
22h - MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU

PROGRAMAÇÃO COMPLETA, CLIQUE AQUI

Fonte: Feira Pan-Amazônica do Livro

É isso aí galera, Não falte!

24 de agosto de 2010

Oh desgraçada és, por Ábia Costa





Oh desgraçada
És minha alma
E o amor que te envolve
Mais desgraçado o é
Sofres e te angústias
Mereces tanta dor?
E ao meio dia
Fazes como os parses
E o sofrimento que lhe é destinado
Passará como a primavera
E dançarás com os lindos pássaros
No jardim de Flor Bela


Ábia Costa

23 de agosto de 2010

Carta sobre a felicidade, por Epicuro*

Foto tirada por Ábia Costa, na Estação das Docas em Belém do Pará, 01/08/2010



Epicuro envia suas saudações a Meneceu

Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la.
Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz.
Em primeiro lugar, considerando a divindade como um ente imortal e bem-aventurado, como sugere a percepção comum de divindade, não atribuas a ela nada que seja incompatível com a sua imortalidade, nem inadequado com a sua imortalidade, nem inadequado à sua bem-aventurança; pensa a respeito dela tudo que for capaz de conservar-lhe felicidade e imortalidade.
Os deuses de fato existem e é evidente o conhecimento que temos deles; já a imagem que deles faz a maioria das pessoas, essa não existe: as pessoas não costumam preservar a noção que têm dos deuses. Ímpio não é quem rejeita os deuses em que a maioria crê, mas sim quem atribui aos deuses os falsos juízos dessa maioria. Com efeito, os juízos do povo a respeito dos deuses não se baseiam em noções inatas, mas em opiniões falsas. Daí a crença de que eles causam os maiores malefícios aos maus e os maiores benefícios aos bons. Irmanados pelas suas próprias virtudes, eles só aceitam a convivência com os seus semelhantes e consideram estranho tudo que seja diferente deles.
Acostuma-te à ideia de que a morte para nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem nas sensações, e a morte é justamente a privação das sensações. A consciência clara de que a morte não significa nada para nós proporciona a fruição da vida efêmera, sem querer acrescentar-lhe tempo infinito e eliminando o desejo de imortalidade.
Não existe nada de terrível na vida para quem está perfeitamente convencido de que não há nada de terrível em deixar de viver. É tolo portanto quem diz ter medo da morte, não porque a chegada desta lhe trará sofrimento, mas porque o aflige a própria espera: aquilo que não nos perturba quando presente não deveria afligir-nos enquanto está sendo esperado.
Então, o mais terrível de todos os males, a morte, não significa nada pra nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos. A morte, portanto, não é nada, nem para os vivos, nem para os mortos, já que para aqueles ela não existe, ao passo que estes não estão mais aqui. E, no entanto, a maioria das pessoas ora foge da morte como se fosse o maior dos males, ora a deseja como descanso dos males da vida.
O sábio, porém, nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele, viver não é um fardo e não-viver não é um mal.
Assim como opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo ele colhe os doces frutos de um tempo bem vivido, ainda que breve.
Quem aconselha o jovem a viver bem e o velho a morrer bem não passa de um tolo, não só pelo que a vida tem de agradável para ambos, mas também porque se deve ter exatamente o mesmo cuidado em honestamente viver e em honestamente morrer. Mas pior ainda é aquele que diz: bom seria não ter nascido, mas, uma vez nascido, transpor o mais depressa possível as portas do Hades.
Se ele diz isso com plena convicção, por que não se vai desta vida? Pois é livre para fazê-lo, se for esse realmente seu desejo; mas se o disse por brincadeira, foi um frívolo em falar de coisas que brincadeira não admitem.
Nunca devemos nos esquecer de que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não-nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais.
Consideremos também que, dentre os desejos, há os que são naturais e os que são inúteis; dentre os naturais, há uns que são necessários e outros, apenas naturais; dentre os necessários, há alguns que são fundamentais para a felicidade, outros, para o bem-estar corporal, outros, ainda, para a própria vida. E o conhecimento seguro dos desejos leva a direcionar toda escolha e toda recusa para a saúde do corpo e para a serenidade do espírito, visto que esta é a finalidade da vida feliz: em razão desse fim praticamos todas as nossas ações, para nos afastarmos da dor e do medo.
Uma vez que tenhamos atingido esse estado, toda a tempestade da alma se aplaca, e o ser vivo não tendo que ir em busca de algo que lhe falta, nem procurar outra coisa a não ser o bem da alma e do corpo, estará satisfeito. De fato, só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, essa necessidade não se faz sentir.
É por essa razão que afirmamos que o prazer é o início e o fim de uma vida feliz. Com efeito, nós o identificamos como o bem primeiro e inerente ao ser humano, em razão dele praticamos toda escolha e toda recusa, e a ele chegamos escolhendo todo bem de acordo com a distinção entre prazer e dor.
Embora o prazer seja nosso bem primeiro e inato, nem por isso escolhemos qualquer prazer: há ocasiões em que evitamos muitos prazeres, quando deles nos advém efeitos o mais das vezes desagradáveis; ao passo que consideramos muitos sofrimentos preferíveis aos prazeres, se um prazer maior advier depois de suportarmos essas dores por muito tempo. Portanto, todo prazer constitui um bem por sua própria natureza; não obstante isso, nem todos são escolhidos; do mesmo modo, toda dor é um mal, mas nem todas devem ser sempre evitadas. Convém, portanto, avaliar todos os prazeres e sofrimentos de acordo com o critério dos benefícios e dos danos. Há ocasiões em que utilizamos um bem como se fosse um mal e, ao contrário, um mal como se fosse um bem.
Consideramos ainda a autossuficiência um grande bem; não que devamos nos satisfazer com pouco, mas para nos contentarmos com esse pouco caso não tenhamos o muito, honestamente convencidos de que desfrutam melhor a abundância os que menos dependem dela; tudo o que é fácil de conseguir; difícil é tudo o que é inútil.
Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada pela falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita.
Habituar-se às coisas simples, a um modo de vida não luxuoso, portanto, não só é conveniente para a saúde, como ainda proporciona ao homem os meios para enfrentar corajosamente as adversidades da vida: nos períodos em que conseguimos levar uma existência rica, predispõe o nosso ânimo para melhor aproveita-la, e nos prepara para enfrentar sem temos as vicissitudes da sorte.
Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentidos, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma. Não são, pois, bebidas nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de uma mesa farta que tornam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas de toda escolha e de toda rejeição e que remova as opiniões falsas em virtude das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos. De todas essas coisas, a prudência é o princípio e o supremo bem, razão pela qual ela é mais preciosa do que a própria filosofia; é dela que originaram todas as demais virtudes; é ela que nos ensina que não existe vida feliz sem prudência, beleza e justiça, e que não existe prudência, beleza e justiça sem felicidade. Porque as virtudes estão intimamente ligadas à felicidade, e a felicidade é inseparável delas.
Na tua opinião, será que pode existir alguém mais feliz do que o sábio, que tem um juízo reverente acerca dos deuses, que se comporta de modo absolutamente indiferente perante a morte, que bem compreende a finalidade da natureza, que discerne que o bem supremo está nas coisas simples e fáceis de obter, e que o mal supremo ou dura pouco, ou só nos causa sofrimentos leves? Que nega o destino, apresentado por alguns como o senhor de tudo, já que as coisas acontecem ou por necessidade, ou por acaso, ou por vontade nossa; e que a necessidade é incoercível, o acaso, instável, enquanto nossa vontade é livre, razão pela qual nos acompanham a censura e o louvor?
Mais vale aceitar o mito dos deuses, do que ser escravo do destino dos naturalistas: o mito pelo menos nos oferece a esperança do perdão dos deuses através das homenagens que lhes prestamos, ao passo que o destino é uma necessidade inexorável.
Entendendo que a sorte não é uma divindade, como a maioria das pessoas acredita (pois um deus não faz nada ao acaso), nem algo incerto, o sábio não crê que ela proporcione aos homens nenhum bem ou nenhum mal que sejam fundamentais para uma vida feliz, mas, sim, que dela pode surgir o início de grandes bens e de grandes males. A seu ver, é preferível ser desafortunado e sábio, a ser afortunado e tolo; na prática, é melhor que um bom projeto não chegue a bom termo, do que chegue a ter êxito um projeto mau.
Medita, pois, todas estas coisas e muitas outras a elas congêneres, dia e noite, contigo mesmo e com teus semelhantes, e nunca mais te sentirás perturbado, quer acordado, quer dormindo, mas viverás como um deus entre os homens. Porque não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais.


 *Epicuro, foi um filósofo grego que fundou a escola epicurista que pregava o prazer como missão

Fonte: Ateus.net

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