3 de outubro de 2010

Cinema sob à luz da psicanálise

Por Ábia Costa


No começo deste ano, descobri um blog, onde juntava duas coisas as quais eu sou apaixonada: cinema e psicanálise. Ao ler as análises dos filmes, me tornei grande fã de seu dono e autor: Renato Hemesath, 22 anos, morador da cidade de São Paulo, onde cursa o 3º ano de Psicologia, cinéfilo, com preferência por filmes em preto e branco, não esconde de ninguém sua enorme admiração por Audrey Hepburn (anos 50, 60, 70 e 80), apreciador de dias frios e nublados e de grande variedade de chás. Além de tudo isso, Renato arranja um tempinho para escrever suas análises cinematográficas e nos concedeu uma entevista exclusiva, onde fala de suas inspirações, gostos e claro cinema e psicanálise através do Cine Freud.


Pergunta: Como surgiu a ideia de criar um blog juntando psicanálise e cinema?
Renato Hemesath: A princípio não havia uma idéia estruturada, eu tinha apenas um nome em mente: Cine Freud, que tal? Neste primeiro momento, constatei que não havia nenhum trabalho na internet que apresentasse esses dois eixos, que falasse ousadamente sobre cinema e psicanálise. Portanto, nada mais propício do que investir em algo inovador! desde então, alguns elementos já eram fundamentais para mim: zelo, autenticidade, ousadia e bom humor. E foi assim que aconteceu, o resultado vocês podem constatar hoje.



P: Como você acha que a psicanálise é encarada atualmente?
R.H: Eu acredito que a psicanálise tem sido encarada com um enfoque mais amplo. Hoje esta é vista tanto enquanto demanda clínica como quanto uma visão que estuda o sujeito e suas formas de subjetivação em relação a seu desejo. Mas ainda assim, pensamentos retrógrados e idéias limitadas quanto a prática clínica são propagadas entre as pessoas. Vejo que, de certo modo, ainda há profissionais que a veêm como uma técnica focada unicamente o sintoma do sujeito, quando, na realidade, o trabalho analítico vai muito além disso porque visa responsabilizar o sujeito na orientação de seu próprio desejo. A Teoria, em suas diferentes escolas (clássica, inglesa, americana e francesa) se mostra propícia e válida para pensarmos as questões atuais do mundo.


P: Você aborda vários temas de filmes, como faz a seleção dos filmes que serão analisados?
R.H: Não há uma fórmula determinada, não. Eu busco escrever sobre filmes que de algum modo me causaram impacto. Não há como eu ser indiferente em relação a um título selecionado, pois se assim fosse, não fluiria. Frequentemente me oriento pela temática, tendo em vista o que poderei abordar em termos psicanalíticos, mas há outros critérios também: há diretores que tem um estilo muito atraente, fotografias belíssimas, assim como há filmes que são polêmicos e excelentes para propagar novos burburinhos a seu respeito. Sempre escrevo em blocos de cinco ou seis resenhas, é o modo como me organizo. Depois estes textos são revisados pela Elisângela Alves, uma amiga que gentilmente os lê e os rabisca, rs. E após uma revisão final e inserção das fotos (também editadas por mim), está pronto!


P: Você usa as análises que escreve para o blog para sua vida acadêmica?
R.H: Eu faço um uso indireto. Até então não realizei nenhuma apresentação literal sobre algum filme que tenha escrito, mas eles me orientam na elaboração de outros trabalhos. O cinema está sempre presente em tudo o que faço, desde as atividades da graduação até as super conversas e encontros nos cafés aqui em SP.


P: De todos os filmes analisados, qual foi o que você mais gostou de analisar?
R.H: Há um que foi muito sensacional: "Bem vindo à Casa de Bonecas", de 1995 do Todd Solondz. (Vejam: Análise "Bem vindo à Casa de Boncas")
Quem me conhece sabe o quanto eu super amo todo o trabalho do Todd Solondz. ele é fenomenal, é minha maior referência em humor negro. Escrever sobre este filme foi fantástico! a história por si só é encantadora, mas principalmente pela oportunidade de abordar sobre o lugar daqueles que socialmente são silenciados pela ação de um outro, foi o momento de tirar máscaras e mostrar, em concordância com Todd, que socialmente é eleito o lugar daqueles que nada-são.



P: Sabemos que o blog está passando por uma reformulação, podemos saber algumas das novidades?
R.H:
Ah claro que sim. Decidi que seria preciso mudar algumas coisas de lugar e rever algumas questões. Agora, o site possui domínio próprio e estou reformulando o layout e aprendendo novas técnicas gráficas, já que todo o design da página é desenhado por mim. Sinto também que será muito interessante mudar gradativamente a estrutura das resenhas, logo o fio narrativo tem se modificado, a ênfase para os próximos trabalhos será escrever as resenhas pautando-se na análise dos discursos e do simbolismo presente nos filmes. E claro, logo faremos 1 ano, e essa data será super comemorada.


P: O "Cine Freud" completa um ano em novembro, quais são suas metas para o futuro? acredita que até aqui, o blog chegou onde você queria?
R.H: Há muito trabalho pela frente! o Cine Freud ainda tricotará muito mais! Eu super acredito e me enxergo naquilo que realizo e assim, juntamente com as pessoas queridas que conheci nestes últimos meses, pretendo continuar, como diz uma amiga: Avanti! É uma marca que faço questão que seja deixada.
Sim, o blog atingiu um ideal previamente sonhado. Quando comecei a escrever e editar todo o trabalho não tinha certeza se a proposta daria certo ou não, assim como não imaginava que encontraria um público tão receptivo e disposto a pensar o cinema sobre este enfoque analítico. Mas quero algo ainda mais ousado e serão os próximos meses que permitirão que isso ocorra. Afinal, quando você acredita de verdade que é capaz de realizar, não há nada que possa afastá-lo deste ideal.





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Gostaria de agradecer ao Renato Hamesath por me conceder a entrevista

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