16 de abril de 2010

A um livro (Florbela Espanca)


No silêncio de cinzas do meu Ser

Agita-se uma sombra de cipreste,
Sombra roubada ao livro que ando a ler,

A esse livro de mágoas que me deste.
Estranho livro aquele que escreveste,

Artista da saudade e do sofrer!
Estranho livro aquele em que puseste
Tudo o que eu sinto, sem poder dizer!

Leio-o, e folheio, assim, toda a minha alma!
O livro que me deste é meu, e salma
As orações que choro e rio e canto! ...

Poeta igual a mim, ai que me dera

Dizer o que tu dizes! ... Quem soubera

Velar a minha Dor desse teu manto! ...


Um comentário:

ALIMAC disse...

Sempre me encontro nos versos de Florbela Espanca.

www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

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