24 de abril de 2010

Medo da Solidão, por Ábia Costa


Silvana era uma jovem qualquer, tinha tudo o que queria, e aparentemente era feliz. Tinha um bom emprego, era inteligente, bonita, independente, sempre tinha um sorriso meigo em seu rosto, era conhecida por seus amigos como “anjo”, sempre gostava de ter gente por perto, rir, entre outras coisas.
Gostava de passear e amava seus amigos, sabia que cada um deles era um presente peculiar para sua vida, era intensa, amava na mesma proporção que odiava, contudo, não gostava de guardar mágoas, para ela isso era o mesmo que veneno.

Sabia que a felicidade dependia só dela, e que ela tinha que vencer seus medos.
Ah! Medos... e ela conhecia muito bem o que era isso, ela tinha um medo na vida, e esse medo a tornava refém de sentimentos destrutivos, o medo da solidão, ela preferia se humilhar, sofrer do que perder um amigo, isso não a fazia bem.

Uma vez há anos atrás, ela estava no pátio da escola em que era professora e estimava muito um amigo, que por uma grande bobagem houve uma briga entre os dois, o então amigo a humilhou na hora do intervalo diante de todos aqueles adolescentes ávidos por confusão, eles começaram a encará-la de modo estranho, pois sabiam que mesmo depois do tumulto, Silvana pediu para que ele não a deixasse e continuasse sendo seu amigo.

Quando começou um namoro então tudo piorou. Silvana passou a ser r
efém do ciúme que ela tinha de conter, “eu tenho medo de perdê-lo” pensava ela sozinha em noites escuras e sombrias em seu quarto, mesmo quando houve rumores de traição por parte dele, ela se calou, “não quero estragar as coisas” dizia ela consigo mesma, mas as coisas não estavam tomando o rumo esperado.
Ela passava noites em claro esperando um telefonema dele, ficava horas o esperando para dar-lhe uma explicação, mas nada disso acontecia.

Certa noite, Silvana resolveu ligar, mas ele não atendia começou a ficar preocupada com aquilo, sabia que não era do feitio do rapaz não atender-lhe, ligou outra vez e nada, até adormecer, no outro dia o namorado ligou de outro número e lhe disse que estava na rua de madrugada e foi assaltado, os assaltantes levaram seu celular a única coisa que tinha no momento, Silvana que estava preocupada, perguntou-lhe o que ele fazia de
madrugada na rua,o que ouviu foi uma série de insultos e coisas desagradáveis: - Eu não tenho que dizer à você- berrou o rapaz do outro lado da linha. Silvana se sentiu um estorvo naquela vida, desligou o telefone aos soluços, chorou tudo que estava preso em sua garganta “eu o amo tanto” pensou consigo mesma, mas será que era mesmo amor, ou toda essa dependência emocional partia daquele medo que gritava dentro de seu peito?
Ela preferia se renunciar a ficar sem ele, “solidão” pensava “você não vai me pegar”, mas o que ela não percebia é que mesmo namorando se sentia mais só do que nunca.

Tentava conversar sobre seus sentimentos com alguém, mas os amigos que ela tanto amava e ajudava estavam cansados de ouvir as mesmas histórias, isso a machucava.

Ela estava presa ao seu medo que estava beirando o desespero.

Um dia veio a resposta de suas dúvidas e ele confessou que realmente a traí-la, e a moça com quem ele mantinha um relacionamento paralelo ao seu estava agora grávida, milhares de pensamentos invadiram-lhe a mente “o que foi que eu fiz de errado?” “será que sou tão ruim assim, que ele teve que ter mais uma para estar ao seu lado?” pensava em seu silêncio, sentiu uma onda de temor lhe invadir “vou ficar sozinha”.

Seus monstros a atormentavam, suas lágrimas a sufocavam, o seu maior medo lhe sobreviera, estava sozinha.

Começou então uma luta sem trégua, dia após dia, tentava suprimir seu medo, sua angústia, sua dor, pensava a cada instante em suicídio, preferia a morte do que aquilo, estava submersa em seu sofrimento, cega para ver uma solução, seus amigos a quem dava tanto apoio, agora não estavam lá na calada da noite para socorre-la, era bem pior do que imaginava.

Então no limite de seu silêncio não suportando mais, fez algo que ninguém podia esperar, o “anjo”, como era conhecida, não suportou, foi encontrada sem vida em sua cama numa manhã fria, ao seu lado os comprimidos que a ajudaram em seu sofrimento, agora estava tudo terminado e tudo o que queria era ficar em paz.

E agora ela não estava mais sozinha... mas onde será que estava? Teria valido a pena? Perguntas sem respostas, que irão para sempre perseguir aqueles que a deixaram sozinha, quando ela mais precisou de alguém.




Ábia Costa

6 comentários:

Amana C. disse...

Está escrevendo um livro? Rs.
Muito bom... Faz a gente pensar!

Bju

Ábia Costa disse...

Um livro? mais ou menos,rsrs
Escrevi esta estória há um ano atrás,e ela me leva a grandes reflexões até hj...bjinhus

Aldo disse...

nooosa, qnt talento vc tem pra escrever :D adorei a história ou estória ei lá! abraçooo

Renato Hemesath disse...

Oi Ábia!

Ah muito obrigado pelos elogios quanto ao blog, realmente me alegro que tenhas se identificado :)

Que interessante, tu conheceu a Psicanálise até mesmo antes de mim, hehe.
É uma área do saber encantadora, claro que sou suspeito a dizer, rs... mas que realmente nos trás um olhar diferenciado sobre as pessoas e os fatos em si.

O teu post trás um tema que 'não quer calar' afinal a solidão é uma das coisas que mais se luta durante toda a vida, alguns a associam com a derrota, a perda. Esta crônica é bastante interessante e justifica que o outro nunca se faz neutro, mas sua ida deixa sempre algumas marcas... me fez lembrar também uma análise de um filme que estou escrevendo que trata de questões parecidas com a que você escreveu.

Ótima semana prá ti.
Bjos.

BRUBONE disse...

PARABENS ABIA SABIA Q VC ERA TALENTOSA MAIS VC TEM UM SUPER POTENCIAL UMA HISTOTIA FACINANDE Q ENVOLVE QUALQUER UM Q GOSTE E Q NAUM GOSTE DE LER
MEUS PARABENS E CONTINUE ASSIM ESCREVENDO PARA DAR O GOSTO DE LER A MUINTA GENTE!!!!!!!!!!!!!

Sérgio disse...

Êêêê... muito interessante!!
Vou acompanhar suas novidades de hoje em diante!!
Abração linda!!
Sérgio Ferreira

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